Por que Alexandre de Moraes resolveu brincar de “show do intervalo” em pleno julgamento e acabou estrelando o próprio fiasco jurídico
COLUNA LIMONI | N2 DIGITAL
Sim, meus caros leitores. Enquanto metade do país se perguntava se a Débora do batom merecia 17 anos de xilindró por fazer arte abstrata em estátua alheia, Alexandre de Moraes, o ministro que confundiu o STF com o Projac, resolveu apresentar um vídeo no julgamento como se fosse trailer de série original da Netflix: “8 de Janeiro – O Retorno da Inquisição”.
E antes que você pense “ah, deve ser um documentário imparcial”, já adianto: o negócio parecia mais campanha eleitoral com roteiro do medo.
Com direito a edição dramática e narração implícita de “olha que perigoso esse povo”, Xandão foi lá e, sem pestanejar, meteu o vídeo na audiência. Só faltou pipoca e QR code pra comprar o combo do arrependimento.
Agora, vamos ao básico. Alexandre de Moraes não é acusador. Ele é juiz. JU-ÍZ. A função dele é julgar, não animar auditório com PowerPoint emocional. Mas pelo visto, ele decidiu acumular cargos: juiz, promotor, vítima e protagonista do surto institucional do ano.
Juristas de primeiro período — aqueles ainda pagando boleto do cursinho preparatório — viram o vídeo e disseram: “pera lá, isso aí não pode”. Mas Xandão, embalado pelos aplausos da militância e elogios da Xuxa, resolveu que o devido processo legal é apenas uma sugestão no grande show da democracia performática.
E o pior? Estratégia nível “cérebro de alface”. Achou que ia calar os críticos, mas só escancarou o que todo mundo já desconfiava: se o objetivo era provar que o julgamento era político, parabéns, missão cumprida.
A própria bolha progressista começou a coçar a orelha. Matheus Leitão, aquele que você esperaria defendendo o Xandão de mãos dadas com um cartaz “salve a democracia”, deu uma cutucada pública.
Quando até os teus cheerleaders começam a fazer cara de “ih, passou do ponto”, é sinal de que a coisa desandou.
O vídeo — esse que apareceu do nada, sem estar nos autos — ainda reforça a tese das defesas: não têm acesso completo ao processo, são julgados com base em conteúdo surpresa e, no caso da infame Débora, nem nos vídeos apresentados ela aparece fazendo nada além da já mencionada arte com batom.
Quer dizer, pra prender alguém por 17 anos, a gente esperava pelo menos um flagra dela com uma marreta, uma dinamite ou, no mínimo, gritando “derruba tudo!”. Mas não. A mulher virou símbolo do golpe por vandalismo com maquiagem.
E o pior (sim, tem mais) é que isso virou munição. Não para o STF, que parece surdo com cotonete de chumbo, mas para a opinião pública. Sim, essa entidade imprevisível que decide eleições e adora um mártir.
Cada erro desses do Moraes alimenta a narrativa do “Bolsonaro perseguido”, e se tem uma coisa que a história ensina é que quanto mais você tenta apagar um símbolo à força, mais ele vira pôster de parede em república de estudante.
Hoje, o STF acredita que controla o jogo. Mas a política — essa bruxa malvada — não se joga com toga e ego inflado. Joga-se com estratégia. E nesse tabuleiro, Moraes e sua trupe estão empilhando erros como se colecionassem selos para trocar por um impeachment futuro.
O STF virou protagonista de um roteiro que não domina. Na tentativa de vencer o bolsonarismo, está criando a versão 2.0: mais forte, mais ressentida e agora com uma parcela maior do eleitorado achando que sim, o “sistema” está perseguindo.
Parabéns, Xandão. Tentou salvar a democracia com um pen drive e acabou virando garoto-propaganda da tese de golpe processual. Não é todo dia que um ministro consegue reforçar todas as críticas contra si em menos de 5 minutos de vídeo. Mas você conseguiu. Palmas — de ironia, claro.